histroriaMúsica popular é aquela composta por autores conhecidos e divulgada por meios gráficos (com as partituras) ou através da gravação de discos, filmes ou fitas de vídeo e, mais modernamente, através do ambiente virtual, da internet.

Nos tempos coloniais, os únicos tipos de música ouvidos no Brasil eram os cânticos das danças indígenas, os dos batuques africanos e as canções dos colonizadores europeus. Aos poucos, esses elementos foram se influenciando mutuamente. E a partir de certo momento, localizado talvez nos anos de 1700, produziram um resultado, que foi caindo no gosto do ainda rarefeito público das cidades.

Um pouco antes disso, já havia poetas que cantavam seus poemas, principalmente satíricos ou críticos, acompanhando-se à viola de arame, precursora do violão. Um deles era o baiano Gregório de Matos (1636 – 1695), apelidado o “Boca de Inferno”, pela ferocidade de sua veia satírica. Mas no século seguinte foi que apareceu aquele que é historicamente reconhecido como o primeiro compositor da música popular brasileira.

Chamava-se Domingos Caldas Barbosa, era um mulato carioca, nascido em 1739 e com sua viola e a sensualidade dos lundus que compunha cantava, encantou damas da corte portuguesa e, naturalmente, desagradou a muitos cavalheiros. E causou espanto pois o tipo de canção que se ouvia era principalmente canções guerreiras, inspiradoras de orgulho patriótico.

Com esses pioneiros e outros nasceu a modinha, primeiro gênero da canção (música com letra) popular brasileira, a partir da qual, com muitas outras fusões e misturas, foram nascendo os muitos gêneros e estilos de composição e interpretação, como choro, samba, marcha, frevo, samba-canção, rancheira, baião, samba-enredo, bossa-nova, etc.

Um dos maiores estudiosos da música popular brasileira, José Ramos Tinhorão fez em sua “Pequena História da Música Popular” (São Paulo, Art Editora, 1991) o panorama da evolução dessa arte, da modinha até a “lambada”, ritmo de dança surgido no ambiente do carimbó paraense e lançado comercialmente em 1970.

Não sabemos se Tinhorão estendeu seu trabalho até os subgêneros hoje dominantes; e que já são objeto de muitos estudos e observações. Mas seria bom se o fizesse.


Nº 139 | 31/07/17 | Pág. 3