Adeus ao “Gênio da Batucada”

Baterista completo e percussionista altamente criativo, com o falecimento de Jadir de Castro a música popular brasileira perde um de seus maiores inventores. Pesquisador incansável dos ritmos de origem afro, o músico dedicou-se inclusive à criação de instrumentos que possibilitassem o aprofundamento de suas pesquisas.

jadir_de_castroNascido em Campos, RJ, Jadir Teixeira de Castro iniciou sua carreira artística ainda na adolescência anos de idade, no Rio, atuando como baterista na Grande Orquestra da Rádio Clube do Brasil. Em 1950, viajou para o exterior, atuando na Europa, na Ásia e na América, como integrante de diversos grupos orquestrais. Em 1956, contracenou com Brigitte Bardot no filme “E Deus criou a mulher”, de Roger Vadin, tocando bongô ao lado da atriz, além de ter sido professor de coordenação rítmica motora (método criado por ele) da Coroa Espanhola.

Na década seguinte, no Brasil, gravou com artistas como João Gilberto e Tom Jobim; e, no âmbito dos estúdios de gravação, criou estilos e bossas, por ele batizados como “samba fantástico”, “samba cruzado”, “samba batucada”, “baião com bateria” e “jazz forró”. A parti daí, lançou LPs como “Jadir no Samba”, “Gênio da Batucada”, “Samba internacional (Jadir de Castro e Seus Poliglotas Rítmicos)”, “Batucada nº. 2 (Jadir de Castro e Seus Poliglotas Rítmicos e Escola de Samba da Cidade)”, e “E agora: Camutéo”! – A nova dança! – Jadir de Castro e Seu Ritmo”.

Em 2000, gravou um CD, produzido por Arnaldo De Souteiro em cujo repertório destacam-se as regravações de seus clássicos “Nega sem sandália” e “Ziriguidum”, além das inéditas “Sem palhaçada” e “No tempo do chá”, entre outras. Um ano depois lançou o DVD “Jadir de Castro – Gênio da Batucada” e o livro “Ciências rítmicas e memórias”, contando sua trajetória e trazendo também partituras explicativas de como explorar melhor os sons percussivos.

Também autor de sucessos, como “Samba do telecoteco”, imortalizado na voz de Jackson do Pandeiro, e “Pour Quoi?”, (“Essa nega sem sandália quer sambar”…), em parceria com o também internacional Caco Velho, Jadir de Castro, falecido no último dia 14 de julho em Cabo Frio, RJ, onde residia, integrava o quadro social da AMAR desde 1982.

Nossos sentimentos.