Nascido no Rio de Janeiro em dezembro de 1943, filho do cantor, compositor e radialista Paulo Tapajós, o jovem Maurício Tapajós estreou como compositor ainda estudante de Arquitetura, em 1965, gravado pelo conjunto vocal Os Cariocas. Dois anos depois, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho, gravava Mudando de Conversa, sucesso nacional na voz de Dóris Monteiro.

Um dos pioneiros do disco independente no Brasil, na década de 1970 criou a gravadora Saci, Sociedade de Artistas e Compositores Independentes, nascida na COOMUSA, uma cooperativa de músicos e autores, por sua vez gerada no seio do Sindicato dos Músicos do RJ. Ao mesmo tempo, arrostando o autoritarismo e a truculência dos “anos de chumbo”, Maurício iniciava, com outros profissionais, o movimento da SOMBRÁS.

Verdadeiro ativista da música popular brasileira, Maurício produziu e apresentou programas radiofônicos, dirigiu shows e criou canções memoráveis, com parceiros como Hermínio, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Sidney Miller, Sueli Costa, João Nogueira e outros. E em 1980, também no ambiente do Sindicato dos Músicos, fundou a AMAR, sociedade criada especificamente para lutar pelos chamados “direitos conexos” dos músicos executantes e que, com o tempo, ampliou seu âmbito de atuação e influência e, mais tarde, acabou por incorporar o acrônimo SOMBRÁS, de “sociedade musical brasileira” à sua denominação.

Em 21 de abril de 1995 – numa data mais que significativa –, depois de insidiosa enfermidade, o Direito Autoral e a Cultura brasileira perdiam, com o falecimento de Maurício Tapajós, um de seus mais expressivos nomes. Mas sua obra permanece viva entre nós, no pensamento da AMAR/SOMBRÁS e na sua luta pelo Direito e contra o domínio do poder econômico no universo autoral brasileiro.